28 de fevereiro de 2014

Envolvimento de partes interessadas - um caso prático

Ninho de águia-calçada com duas crias, no eucaliptal da Altri Florestal (2013)

Envolvimento de Partes Interessadas. Está na moda, sem dúvida. Conforme a versão inglesa da Wikipedia, trata-se de: "Stakeholder engagement is the process by which an organisation involves people who may be affected by the decisions it makes or can influence the implementation of its decisions. (...) Companies engage their stakeholders in dialogue to find out what social and environmental issues matter most to them about their performance in order to improve decision-making and accountability."

A floresta é um espaço natural complexo e multifacetado, em que o nosso conhecimento é sempre limitado. Por esse motivo, temos vindo a colaborar com várias especialistas em diversas áreas de conhecimento, por iniciativa e necessidade nossa.

Ao mesmo tempo, acontece que somos contactados por pessoas que visitam as nossas áreas florestais, e que nos colocam as mais diversas questões, frequentemente motivados por preocupações reais, que procuramos atender e incorporar na nossa gestão.

Muitas vezes, estas pessoas têm conhecimento de valores e ativos naturais desconhecidos por nós e o nosso envolvimento com essas pessoas acaba por trazer benefícios para a gestão florestal, incorporando parte desse conhecimento.

Um bom exemplo é o nosso envolvimento com observadores de aves, que nos informam sobre áreas de reprodução, nomeadamente de rapinas florestais, espécies bastante sensíveis a perturbação do processo de nidificação por operações florestais.

Na semana passada, voltamos a visitar um povoamento de eucaliptos em Constância com Nuno Mota, um observador de aves que se especializou na localização e proteção de ninhos de rapinas florestais na região de Médio Tejo e com o qual a Altri Florestal tem mantido uma colaboração regular já há algum tempo. O povoamento está no plano de cortes deste ano, e era sabido que no seu interior há várias espécies de rapinas a nidificar: açor, águia-calçada, gavião e água de asa redonda.

Na visita foi avaliada a ocupação dos locais de nidificação conhecidos no povoamento, e esse resultado foi posteriormente incorporado no planeamento do corte. Desta forma é possível evitar perturbação dos processos de nidificação destas aves, tão emblemáticas dos nossos eucaliptais.

É através deste envolvimento que a Altri Florestal consegue melhorar a sua gestão florestal, conciliando os objetivos de produção de madeira com a salvaguarda dos valores naturais presentes nos nossos eucaliptais.

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